quinta-feira, 18 de agosto de 2011

CICATRIZES



Cicatrizes

Tão profundas como os oceanos
Marcas que a vida se apressou
Em plasmar em reconhecimento
As dores e lamentos de minh’alma


Como o vento polar
Minha vida congelou com a tua partida
As flores perderam o perfume
O cristal perdeu o brilho e se quebrou


A natureza emudeceu seus sons
A primavera se fez luto
Os pássaros já não voam mais
As estrelas se apagaram


As lembranças são feridas abertas
Que insistem em sangrar
Quando me recordo de nossos beijos
De nossos momentos de amor


O vazio ocupou meu coração
Fazendo morada permanente
Trazendo o abandono e a escuridão
Na insalubre solidão de meus dias


Sigo pela vida sem direção
Faço das horas lento movimento
Para que não me distancie mais
De nosso passado de ternos momentos


Quisera retroceder no tempo
Para que pelo menos pela última vez
Nossos lábios voltassem a se encontrar
Sentir o calor de teu corpo junto ao meu


Pela ultima vez, ter os teus olhos nos meus
Viver a verdade daqueles instantes
Ouvir tua voz pronunciar, eu te amo!
E na fragilidade da expressão de um homem


Reconhecer a ternura da alma masculina
Agora, feita em pedaços, metades
Que não consegue mais se encaixarem
Como um quebra-cabeça que perdeu suas peças


Olho o horizonte de meus pensamentos
Que expressam pálido retrato de meus antigos projetos
Ruíram ante a desesperança que cala
E consome minha essência


Hoje reflexo de um mundo obscuro
E neste espaço restrito de meu coração
Reconheço este martírio em que minha vida se transformou
Pelas feridas e cicatrizes que deixaste em mim.


Roberto Velasco

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